A disputa pelo Palácio dos Leões em 2026 já começou nos bastidores, marcada por contradições e articulações intensas entre os principais grupos políticos do Maranhão. A base governista, liderada pelo governador Carlos Brandão (PSB), enfrenta um racha interno que remete à histórica eleição de 2014 — mas com os papéis trocados.
Naquela época, Flávio Dino enfrentava um grupo Sarney enfraquecido no poder e saiu vitorioso ao reunir diversas forças políticas. Agora, Brandão é quem ocupa o comando do Executivo e busca consolidar a sucessão com a possível candidatura do sobrinho, Orleans Brandão (MDB), enquanto Dino está fora da cena eleitoral, atuando como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
O atual governador tem apostado em ampliar sua influência junto às bases eleitorais. Para isso, criou a Secretaria de Assuntos Municipalistas e colocou Orleans à frente de programas que interagem diretamente com prefeitos e lideranças locais. A movimentação visa fortalecer o nome do herdeiro político nos municípios do interior, onde o apoio de cabos eleitorais é determinante.
Segundo fonte ligada ao Palácio dos Leões, Carlos Brandão só cogita renunciar ao governo em abril de 2026 se o vice, Felipe Camarão (PT), também deixar o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Nesse cenário, a presidência do Estado seria assumida por Iracema Vale (PSB), presidente da Assembleia Legislativa. Brandão, por sua vez, poderia concorrer ao Senado em aliança com o senador Weverton Rocha (PDT), o que afetaria diretamente os planos do atual ministro dos Esportes, André Fufuca (PP), também pré-candidato à vaga no Senado.
Fufuca enfrenta pressão do comando nacional do PP para romper com o governo Lula e adotar postura de oposição. A indefinição sobre sua posição pode reconfigurar alianças estratégicas no Maranhão.
Além de Orleans, o prefeito reeleito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), surge como nome forte na disputa ao governo estadual. Após obter mais de 70% dos votos na capital em 2024, Braide lidera as pesquisas estaduais de intenção de voto.
Outro nome citado é o do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo), que aparece em segundo lugar nas pesquisas. Apesar disso, Bonfim enfrenta dificuldades estruturais por falta de apoio partidário e experiência de gestão estadual. Ele tenta atrair o eleitorado bolsonarista, sob a liderança do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que comanda o PL no estado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é outro elemento importante no xadrez político maranhense. Lula tem um histórico de votações expressivas no estado e deve tentar a reeleição em 2026, apesar da oposição no Congresso e da resistência das elites econômicas e da grande mídia.
A força de Lula no Maranhão pode beneficiar diretamente o vice-governador Felipe Camarão (PT), que não descarta concorrer ao governo estadual com apoio de Brandão.
Com tantos movimentos em curso e alianças sendo desenhadas, o cenário para 2026 segue indefinido e cercado de especulações. Nem mesmo o ex-presidente José Sarney, um dos mais experientes articuladores da política nacional, se arrisca a fazer previsões. Em artigo publicado recentemente no jornal O Imparcial, Sarney preferiu escrever sobre sua mãe, Dona Kiola, em vez de comentar o futuro político do Maranhão.
Enquanto isso, os bastidores seguem aquecidos e a disputa pelo governo do Estado promete fortes emoções nos próximos meses.

