Na manhã deste domingo (20), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permaneceu recluso em sua residência, no bairro Jardim Botânico, em Brasília. Desde sexta-feira (18), ele está submetido a uma série de medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado.
Segundo moradores do condomínio, o sábado foi marcado por uma diminuição significativa no movimento em frente à casa do ex-presidente, contrastando com a intensa movimentação registrada na sexta-feira, dia em que foram impostas as restrições.
“Agora pela manhã, não houve movimentações na casa dele. Não há nenhum carro na porta, e ele não saiu de casa”, relatou um vizinho.
A presença de seguranças e rondas realizadas por agentes da Polícia Militar foram os únicos sinais de vigilância no local. “Mesmo quando ele sai, é com escolta e carros blindados, mas nesses dias ele não apareceu”, disse outro morador, que preferiu não se identificar. Ele também afirmou que Bolsonaro aparenta estar abalado emocionalmente e tem evitado circular pelo condomínio.
A reportagem do Correio entrou em contato com a residência do ex-presidente na manhã deste domingo. Bolsonaro atendeu ao interfone e confirmou estar em casa, mas afirmou que não pretende se pronunciar à imprensa.
Medidas cautelares
As medidas determinadas pelo STF incluem o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte, proibição de sair de casa durante o período noturno, de conceder entrevistas, de utilizar redes sociais e de manter contato com outros investigados.
A tornozeleira foi instalada na própria residência de Bolsonaro, na noite de sexta-feira, por agentes da Polícia Federal. Desde então, ele está sendo monitorado pelas autoridades.
Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes alegou que o ex-presidente teria “confessado” tentativa de extorsão ao associar um suposto fim do tarifaço imposto por Donald Trump à anistia dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Moraes ainda apontou indícios de crimes como coação no curso do processo, obstrução de investigações sobre organização criminosa e atentado à soberania nacional.
Até o momento, Bolsonaro tem cumprido todas as determinações impostas pela Justiça.

