Brasil sobe no ranking global de desenvolvimento humano, mas ainda enfrenta desafios com desigualdade

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou nesta terça-feira (6) o Relatório de Desenvolvimento Humano 2024, com dados atualizados de 193 países. O Brasil alcançou a 84ª colocação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com pontuação de 0,786, considerado um nível de desenvolvimento alto. Em comparação com o ano anterior, o país avançou duas posições no ranking ajustado e cinco posições na classificação anterior.

O IDH é calculado com base em indicadores de expectativa de vida, escolaridade e Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Em 2022, o índice brasileiro ajustado era de 0,780. O novo relatório mostra uma leve alta de 0,77%, refletindo avanços graduais nos indicadores sociais e econômicos.

Entre 2010 e 2023, o Brasil apresentou um crescimento médio anual de 0,38% no IDH, enquanto o aumento médio desde 1990 foi de 0,62% ao ano. Apesar da melhora, o relatório evidencia desigualdades persistentes no país. Quando o índice é ajustado para refletir as desigualdades sociais, o IDH brasileiro cai para 0,594, o que rebaixa o país para a 105ª posição global e o classifica na categoria de desenvolvimento médio.

Na América Latina e Caribe, o Chile lidera com um IDH de 0,878 e ocupa a 45ª posição global. No total, dez países da região estão classificados como de desenvolvimento humano muito alto. A média regional também subiu de 0,778 em 2022 para 0,783 em 2023, uma alta de 0,64%.

O relatório destaca que a Islândia superou Noruega e Suíça e agora lidera o ranking mundial, com um IDH de 0,972. Já o Sudão do Sul ocupa a última posição, com apenas 0,388.

O Pnud também divulgou dados comparativos por gênero. No Brasil, o IDH das mulheres (0,785) é levemente superior ao dos homens (0,783), com destaque para melhores indicadores de expectativa de vida e escolaridade, embora a renda das mulheres ainda seja inferior.

Outro dado relevante é o IDH ajustado pela pegada de carbono, que posiciona o Brasil na 77ª colocação global, com índice de 0,702.

O tema central do relatório deste ano é a inteligência artificial. O administrador do Pnud, Achim Steiner, alertou para a necessidade de que essa tecnologia seja usada para impulsionar o progresso humano e não como um fator de exclusão. “Nossa capacidade de explorar positivamente essa nova fronteira, mas também de nos proteger, exige cooperação internacional, especialmente com o apoio dos países mais ricos aos mais pobres”, afirmou.

Steiner destacou que a IA deve ser um instrumento para ampliar a criatividade, diversidade e prosperidade coletiva da humanidade. No entanto, alertou que o ritmo atual de progresso global é o mais lento já registrado, o que pode adiar significativamente o alcance de altos níveis de desenvolvimento humano em escala global.