Atraso salarial gera crise entre servidores públicos em Paço do Lumiar

Os servidores públicos de Paço do Lumiar enfrentam uma crise financeira agravada pelo atraso no pagamento do salário de dezembro e da segunda parcela do 13º salário. A situação, já delicada, foi intensificada pelo bloqueio judicial das contas do município devido a suspeitas de irregularidades nas últimas gestões, criando um cenário de tensão administrativa.

Impacto direto nos servidores

O atraso nos pagamentos tem causado dificuldades financeiras severas aos trabalhadores. O Sindicato dos Trabalhadores da Educação (SINPROESEMMA) entrou com uma ação civil pública cobrando o pagamento imediato do 13º salário aos profissionais da Secretaria de Educação.

“É lamentável essa situação, que impacta diretamente a vida financeira dos servidores, ainda mais porque muitos sustentam suas famílias. Os juros das contas e despesas se acumulam, e os servidores não merecem pagar por erros da gestão. Muitos sequer conseguiram aproveitar a ceia de Natal”, desabafou Jori Mary Souza, presidente do sindicato.

Kepler Sousa, professor de Geografia da rede municipal, descreveu o momento como um “colapso financeiro”. Apesar de conseguir se organizar com a renda de um segundo emprego, ele relatou que muitos colegas, dependentes exclusivamente dos salários de Paço do Lumiar, enfrentam atrasos nas contas e compromissos financeiros.

Outro servidor, Márcio Ribeiro, destacou a indignação da categoria: “É uma falta de respeito. Todo final de gestão é esse cenário caótico. O bloqueio de recursos para evitar danos acabou gerando ainda mais prejuízos aos servidores.”

Má gestão e investigações

Os ex-prefeitos Paula Azevedo (PCdoB), conhecida como Paula da Pindoba, e Inaldo Pereira (PSDB) foram afastados após investigações do Ministério Público do Maranhão (MPMA). Ambos são acusados de má gestão de recursos públicos. Paula foi afastada inicialmente, sendo substituída por Inaldo, que permaneceu no cargo por apenas sete meses antes de também ser afastado por suspeitas semelhantes.

Novo prefeito e futuro incerto

Fred Campos (PSB), recentemente diplomado como novo prefeito, herdou um cenário desafiador, marcado por problemas financeiros e a exoneração de mais de 200 funcionários pela gestão anterior. A decisão gerou apreensão e ainda carece de explicações detalhadas.

Em nota, a Prefeitura informou que os pagamentos atrasados devem ser regularizados até o dia 15 de janeiro. Contudo, a resposta não tem tranquilizado os servidores, que exigem mais celeridade e transparência.

“A gente está sem receber o 13º e o salário. Estou devendo cartões e plano de saúde. O réveillon foi apertado. Estávamos contando com esse dinheiro e, quando sair, os juros que vou ter que pagar serão muito altos”, relatou uma servidora que preferiu não se identificar.

Enquanto o Ministério Público do Maranhão acompanha a situação de perto, servidores e a nova gestão buscam soluções para minimizar os impactos dessa crise que afeta diretamente centenas de famílias.